No texto que aqui coloquei, “Tenho orgulho nos meus alunos”, terminava com a frase:
“Por isso, Sr. Valter Lemos, também lutarei pela dignidade de uma profissão que tem como finalidade preparar os jovens para os desafios de amanhã… ou isso incomoda-os, Sr. Valter Lemos e Sr.ª Ministra da Educação?”
Pois bem, colocarei agora aqui três citações que me enviaram via e-mail:
“A padronização reduz a qualidade e a quantidade do que é ensinado e aprendido nas escolas”
Linda McNeill (2000). Contradictions of school reform. Routledge
“Na sua pressão pela eficiência e padronização, o modelo fabril tende a reduzir os professores a autómatos”.
William Pinar (2007). O que é a teoria do currículo? Porto Editora
“A escola de modelo fabril alcança o controlo social à custa da inteligência, inteligência amplamente entendida, quer como a resolução de problemas, o pensamento crítico e a criatividade, quer como a memorização e o cálculo”
William Pinar (2007). O que é a teoria do currículo? Porto Editora
Na verdade, não é novidade que a forma de controlar a sociedade é mantendo-a ignorante. É sempre assim que as ditaduras tentam controlar um povo e se nos tomarmos a nós, portugueses, como exemplo, veremos que, de uma maneira geral, quem saiu como líder ou pelo menos como baluarte da luta antifascista foi ou foram, não pessoas do povo, mas pessoas de uma classe mais alta e culta.
Uma sociedade ignorante não coloca questões incómodas. Talvez porque não vivemos debaixo de um regime totalitário, mas numa “democracia moderna”, a tentativa de governar um povo inculto seja feita de uma forma mais perversa. Não é directa na opressão/repressão, mas dissimulada. Se, numa ditadura, quem fala sabe que arrisca-se a ser oprimido/reprimido, numa “democracia moderna”, nunca se sabe quando, como e de onde aparecem a opressão e a repressão à livre expressão e à reivindicação de direitos.
O ensino público é a forma mais usual de transmitir conhecimento, de transmitir cultura a um povo. Temos, através dele, duas formas de manipular um povo:
não dando acesso ao ensino a todos;
universalizando o ensino, mas degradando ou manipulando a qualidade do mesmo.
O primeiro caso era usado no período salazarista. O segundo caso é aquele que ao longo das poucas décadas de democracia em Portugal, tem vindo a ser introduzido. Mas creio que, sendo as formas de fazer diferentes, o meio para conseguir atingir o mesmo fim é análogo ou seja, através do dinheiro.
Talvez por ser adepto da teoria da conspiração, penso que estão a tentar degradar o ensino público, por modo a que os que por lá passam, não adquiram grandes bases de conhecimentos. Por outro lado, os que tiverem dinheiro poderão enviar os seus filhos para escolas particulares de qualidade superior, de onde sairão os futuros governantes deste país. Acredito que o poder ficará, como sempre esteve, mais ou menos nas mãos das famílias que sempre o tiveram.
Este último governo, o do Sr. José Sócrates, está a dar a estocada final para a degradação do ensino. Começou por, o que se poderia tomar como a tentativa de fazer boa figura além fronteiras, a elevação das taxas de sucesso dos alunos portugueses. É claro que uma coisa destas não se faz de um dia para o outro, a não ser que se falseiem resultados. Não estou a falar de técnicas fascistas como as do antigo ditador português, Dr. António Oliveira Salazar, onde, em eleições ditas democráticas, os mortos também votavam. Falo de falsear resultados com dados verdadeiros, mas sem cobertura. Utilizando uma metáfora, direi que é uma espécie de golpe à maneira de Alves dos Reis. As classificações dos alunos são verdadeiras, mas não estão sustentadas por um fundo de verdadeiro conhecimento.
E assim se vai degradando o ensino em Portugal.